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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Um olhar sobre o novo livro do papa Francisco: Vamos sonhar juntos

 



"Francisco lança o desafio de não se deixar tomar nem pelo narcisismo, desânimo ou pessimismo. O narcisismo reflete uma perigosa 'cultura do espelho' e do ensimesmamento, onde as pessoas acabam se afogando no solipsismo. O desânimo, por sua vez, provoca uma cultura da queixa e obstaculiza o que vem oferecido pelos outros como saída. Os que assim se deixam levar, só enxergam o que julgam perdido. E o pessimismo é uma porta que se fecha para o futuro e as novidades que pode anunciar".


O comentário é de Faustino Teixeira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais - PPCIR-UFJF.

Eis o artigo.

Um livro precioso esse do papa Francisco, que nasceu de uma longa entrevista com Austen Ivereigh. Foi um livro gestado na quarentena, quando o papa aceitou o desafio do entrevistador, logo após ter nomeado uma comissão no Vaticano “para consultar peritos de todo o mundo sobre o futuro da pós-pandemia” [1]. O período das conversas ocorreu entre junho e agosto de 2020. O papa logo aceitou a proposta, para a surpresa do entrevistador, 
“mas deixou claro que necessitaria (...) de mais do que apenas uma série de perguntas. Como ficou evidente em suas homilias cotidianas, transmitidas ao vivo a partir de sua resistência durante o confinamento, ele tinha muito a dizer, e não bastava o formato de perguntas e respostas” (VSJ 152 – pós-escrito por Austen Ivereigh).

O livro segue o modelo tradicional do ver-julgar-agir, remodelado por Francisco com os termos contemplar-discernir-propor. Dá no mesmo:

“Primeiro, examinar a realidade, por mais incômoda que ela seja, sobretudo a verdade do sofrimento nas periferias da sociedade. Segundo, discernir as diferentes forças em jogo, distinguindo o que constrói do que destrói, o que humaniza do que desumaniza e, desse modo, escolhendo o que é de Deus e resistindo ao contrário. Por último, propor um olhar novo e passos concretos que surjam do diagnóstico sobre o mal que nos afeta e de como podemos atuar de outra maneira” (VSJ 152 – pós-escrito por Austen Ivereigh).

O entrevistador assinala que ao final das gravações percebeu o clima de grande “energia, paixão e amor” em Francisco e “a intensidade com que vivia aquele momento: como sofria com os outros e seu senso de urgência” (VSJ 154).

O prólogo do livro começa como uma curiosa citação do evangelho de Lucas, quando diz que Satanás “quer peneirar você como trigo” (Lc 22,31). Eu logo me lembrei de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, onde o demo tem um papel central para desviar o rumo dos que buscam o caminho. Como bem assinalou Walnice Nogueira Galvão, que é das grandes especialistas no livro, “o Diabo ganha pequenas paradas, rápidas e logo concluídas dentro do grande fluir de tudo o que existe e que é Deus; mas nessas pequenas paradas pode se danar um homem (...). Tentar parar esse fluir através de uma certeza é a tarefa do Diabo. ´Deus é paciência. O contrário é o diabo`(GSV, 18)” [2].

Francisco começa falando da crise em que vivemos, sinalizando que “entrar em crise implica ser peneirado. É um momento em que tanto os nossos parâmetros como as nossas formas de pensar são sacudidos e as nossas prioridades e os nossos estilos de vida são postos em questão” (VSJ 7). É também, diz Francisco, um momento de provação, e a saída da crise é sempre surpreendente: “sai-se melhor ou pior; mas nunca igual” (VSJ 7). É o que ocorre na história: “Quando o coração das pessoas é posto à prova, elas tomam consciência do que as estava prendendo” (VSJ 8). É o mundo que está em gestação, mesmo nas crises, onde toda a criação, como diz São Paulo, “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8,22). Cita ainda Francisco uma passagem provocante do profeta Isaías, em que Deus interroga o profeta: “Venham e discutiremos. Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os frutos da terra, mas, se vocês recusam e se revoltam, serão devorados pela espada” (Is 1,18-20).


Parte I – Tempo de Ver

Francisco inicia sua reflexão nessa parte lembrando de nomes que transbordam em seu coração nesse tempo da pandemia. São pessoas que estão nas suas orações e pensamentos, “pessoas com muitos nomes e rostos, pessoas que morreram sem dizer adeus àqueles que amavam, famílias em dificuldades porque não há trabalho e que inclusive passam fome” (VSJ 17). Menciona os enfermeiros, médicos, profissionais de saúde, sacerdotes, religiosos e religiosas “e tantas outras pessoas com vocação para servir” (VSJ 19).

Francisco lança o desafio de não se deixar tomar nem pelo narcisismo, desânimo ou pessimismo. O narcisismo reflete uma perigosa “cultura do espelho” e do ensimesmamento, onde as pessoas acabam se afogando no solipsismo. O desânimo, por sua vez, provoca uma cultura da queixa e obstaculiza o que vem oferecido pelos outros como saída. Os que assim se deixam levar, só enxergam o que julgam perdido. E o pessimismo é uma porta que se fecha para o futuro e as novidades que pode anunciar (VSJ 22).

Francisco realça que a crise pela qual estamos passando é sinalizadora para voltarmos “a entrar em contato com a realidade”. Sublinha que “precisamos passar do virtual para o real, do abstrato para o concreto, da cultura do adjetivo para a do substantivo” (VSJ 23). Assinala a importância de assumirmos com coragem a “cultura do cuidado que responda com rapidez a todas as denúncias”. É algo que virá com o tempo, mas que deverá nos tomar por inteiro, como um “compromisso irremediável no qual devemos empenhar-nos com todas as nossas forças” (VSJ 32).

Em passagem ainda na primeira parte do livro, percebo um certo “escorregão” no ritmo de abertura que marca Francisco em suas falas, e isto se deve ao grande impedimento que bloqueia uma reflexão mais arejada da igreja católica no campo da moral. Quando se toca em certos assuntos, não há como captar a energia vital que o tempo atual nos exige. Como diz com acerto o teólogo francês Christian Duquoc, o peso da instituição em certos campos é quase irremovível, dificultando a tremenda tarefa de a igreja ser capaz de romper seu circuito reduzido. Indica que é mesmo muito dura a tarefa de “renunciar a si mesma” [3]. Para Duquoc é bem pesada a “pretensão eclesiástica de testemunhar a verdade”, e isto mesmo entre setores mais abertos, educados pelo Vaticano II. Uma tal pretensão vem reforçada pelo discurso doutrinal que serve, na prática, para amortecer a precariedade da instituição eclesial [4]. Em carta singular escrita por Teilhard de Chardin para a sua amiga Léontine Zanta, em maio de 1927, dizia que “as nossas igrejinhas nos escondem a Terra” [5]. Não é de se admirar que em seu polêmico livro onde defende a restauração da igreja, o cardeal Ratzinger, na ocasião prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, falava em “drama da moral”, reconhecendo que ali estava o principal ponto de desencontro entre os teólogos e o magistério da igreja” [6]. Isso continua valendo até hoje. Enquanto o mundo celebra avanços importantes como estão acontecendo na Argentina, o papa Francisco mantém o freio nas suas reflexões nesse campo. Daí discordar do que ele afirmou no livro: “Se você pensa que o aborto, a eutanásia e a pena de morte são aceitáveis, seu coração terá dificuldade em se preocupar com a contaminação dos rios e a destruição das florestas” (VSJ 42). Totalmente de acordo com sua crítica à pena de morte, mas quanto aos outros dois pontos, a reflexão deve ser bem mais matizada, seguindo pistas fundamentais traçadas por teólogos morais desde tempos, e cito aqui o grande Jaime Snoek, que atuou na Universidade Federal de Juiz de Fora.

O papa Francisco assinala que passou por três “Covids” em sua vida: a doença, a Alemanha e Córdoba. No primeiro caso, fala de sua doença aos 21 anos, em 1957, quando viveu o limite da dor e da solidão. Foi um passo importante para a mudança na sua vida. Depois veio o exílio voluntário na Alemanha, em 1986, que nomeou como “covid da desconexão”. Disse a respeito: “Você é tirado de onde está e enviado para o desconhecido, e nesse processo aprende que o que realmente importa é o lugar que deixou para trás” (VSJ 49). A terceira “covid” aconteceu quando foi enviado para Córdoba, entre 1990 e 1992. Foi quando atuou como provincial dos jesuítas e depois reitor na comunidade jesuíta. Ali passou um ano e dez meses. Foi um tempo precioso no reforço da oração, mas também de muitas tentações. Foi também uma oportunidade preciosa de ler os 37 volumes da história dos papas, escrito por Ludwig Pastor (VSJ 50).

Francisco se irrita com o fechamento das pessoas no tempo atual: “Aquelas que se dedicaram mais a sua forma de agir seguem colocando em prática a fórmula de sempre – procuram conservar o modo de fazer as coisas” (VSJ 52). Mas se regozija com a presença ativa do povo, em suas profundas demandas de mudança: “É povo pedindo uma mudança profunda, uma mudança que surja das raízes, das necessidades concretas, que brote da dignidade e da liberdade dos povos” (VSJ 53).


Parte II – Tempo de escolher

Para Francisco, como bom jesuíta, esse tempo é o do discernimento e das escolhas. É “um tempo de provação” que faculta uma boa condução ao futuro. Indica que “para este segundo passo, não precisamos apenas nos conectar com a realidade, mas de um conjunto de critérios que nos guiem: saber que somos amados por Deus, chamados enquanto povo ao serviço e à solidariedade” (VSJ 59). Para o devido discernimento, é necessário abrir caminhos essenciais de reflexão e silêncio, e sobretudo de oração: “Ouvir o chamado do Espírito e cultivar o diálogo, numa comunidade que nos apoie e nos convide a sonhar” (VSJ 59).

O momento, diz Francisco, é o de “recuperar valores, no sentido real da palavra: regressar àquilo que tem de fato valor. O valor da vida, da natureza, da dignidade da pessoa, do trabalho, dos vínculos – todos esses valores-chaves da vida humana, que não podem ser negociados nem sacrificados” (VSJ 60). E pistas bonitas são abertas por Jesus de Nazaré, em suas narrativas fundamentais, com a “gramática do Reino de Deus”. Menciona também o perene valor da Doutrina Social da igreja, sobretudo no âmbito da solidariedade e da subsidiariedade.

A situação do Coronavírus acabou por acelerar o desejo de “uma mudança de época”. Ou seja, “os parâmetros, suposições e modelos que antes serviam como base para nossas ações já não funcionam mais. Estamos passando agora por situações que jamais imaginamos que iria acontecer – o colapso ambiental, uma pandemia global, o retorno dos populismos” (VSJ 62-63). Estamos também diante do grande risco dos fundamentalismos, em que as pessoas se sentem mais “protegidas” de situações desestabilizadoras em troca de certo “quietismo existencial”. Como diz com acerto o sociólogo Peter Berger, “o fundamentalismo é um esforço para restaurar a verdade ameaçada” [7]. A nebulosa fundamentalista ganha também espaço nas igrejas e religiões. Trata-se do fundamentalismo escriturístico e doutrinal. O teólogo Claude Geffré relaciona o fundamentalismo a uma forte “experiência de conversão”, relacionada à leitura do texto bíblico lido e pregado. Ele expressa o clima com uma citação bem apropriada, que explicita essa obstinada busca por um fundamento seguro: “Levaram meu Senhor e não sei onde o puseram” (Jo 20,2).

Francisco expressa sua gratidão a Romano Guardini, que foi tema de sua tese doutoral não concluída. Com ele aprendeu “a não exigir certezas absolutas, pois isso é sinal de espírito ansioso. Sua sabedoria me permitiu enfrentar problemas complexos que não podem ser resolvidos simplesmente com normas, mas com um estilo de pensamento que permite passar pelos momentos de conflito sem ficar preso neles” (VSJ 64).

O papa pontua que “a tradição não é um museu, a verdadeira religião não é um congelador e a doutrina não é estática, mas cresce e se desenvolve, como uma árvore que permanece a mesma mas fica cada vez maior e produz sempre mais frutos” (VSJ 65).

Francisco lamenta nesse nosso tempo, o que vem sendo sentido de forma muito especial nessa nova pandemia, o abandono dos idosos. Trata-se para ele de “um triste sinal dos nossos tempos”. Sublinha que “boa parte das mortes por Covid-19 foi observada em casas de repouso. Os que morreram eram vulneráveis, não apenas pela idade, mas por conta das condições em muitos desses abrigos: falta de recursos, pouca atenção, muitas mudanças de pessoal, baixa remuneração dos funcionários” (VSJ 66). Para Francisco, “o abandono dos idosos é uma enorme injustiça”. Lembra uma passagem do livro do profeta Joel: “Os filhos e as filhas de vocês se tornarão profetas; entre vocês, os velhos terão sonhos e os jovens terão visões” (Jl 3,1).

Os profetas e discípulos de Jesus têm hoje como tarefa primordial captar o vento do Espírito, com extrema atenção aos rumos que suscita: “A voz de Deus nunca impõe, mas propõe, ao passo que o inimigo é barulhento e insistente e até mesmo monótono. A voz de Deus pode nos corrigir, mas suavemente, sempre encorajando, consolando, nos dando esperança” (VSJ 70).

Francisco reforça o papel fundamental exercido hoje pelas mulheres na igreja, que agora passam a ocupar cargos importantes no Vaticano. Foi uma decisão amadurecida e que vai dando seus primeiros frutos. E diz:

“Nomeei outras mulheres para cargos relevantes, mas como essas nomeações foram feitas de cada vez, ao longo de vários anos, não chamaram muito a atenção. Mas quando em 2020, nomeei de uma só vez seis mulheres para o Conselho da Economia do Vaticano, essas indicações viraram notícia” (VSJ 75).

Francisco aprecia nas mulheres o seu senso prático, e indica que durante sua longa experiência pastoral pôde aprender muito com suas recomendações, sempre sensatas e pé no chão.

Durante vários momentos do livro, Francisco coloca a igreja em alerta diante do risco da arrogância e da prepotência. Sublinha que o que o preocupa “é a condição espiritual expressa na arrogância de crer que a Igreja necessita ser salva de si mesma, e que trata a Igreja como se fosse uma corporação na qual os sócios podem exigir uma mudança de gerência” (VSJ 80).

Em seus anos de estudo de Guardini, Francisco aprendeu como lidar com as contradições de forma positiva. Elas não podem ser confundidas com as contraposições. Pensar assim reflete um afastamento da realidade: “O mau espírito – o espírito do conflito, que afeta o diálogo e a fraternidade – transforma sempre as contraposições em contradições, exigindo que escolhamos um dos lados e reduzindo a realidade a simples binários” (VSJ 88).

Linda a passagem do livro em que Francisco fala do caminho profundo do transbordamento. A expressão “transbordar” é uma possível tradução do grego perisseuo, que é “a palavra usada pelo salmista cuja taça transborda com a graça de Deus, no salmo 23. É o que Jesus promete (Lc 6,38) e que será derramado em nosso colo quando perdoarmos. É a palavra utilizada no Evangelho de João (Jo 10,10) para caracterizar a vida que Jesus veio trazer, e o adjetivo usado por São Paulo (2 Cor 1,5) para descrever a generosidade de Deus” (VSJ 90).

Para Francisco, “tais transbordamentos de amor acontecem sobretudo nas encruzilhadas da vida, em momentos de abertura, fragilidade e humildade, quando o oceano do amor de Deus rebenta os diques da nossa autossuficiência e permite, assim, uma nova imaginação do possível” (VSJ 90). O pensador que foi para mim decisivo para entender com clareza o que é consciência possível, para além da consciência real, foi o marxista Lucien Goldmann, em seus preciosos livros traduzidos ao português. São livros que valem muito a pena ser lidos [8].


Parte III – Tempo de agir

Francisco inicia essa parte com uma bela citação do poeta Rabindranath Tagore: “Aproximaste de mim o distante e fizeste do desconhecido um irmão” (VSJ 107). No campo do agir, a opção de Francisco é bem clara, na linha dos bispos latino-americanos, com a escolha preferencial dos mais pobres e excluídos. Foi assim que deu início ao seu pontificado em Lampedusa, junto aos excluídos. Os poderosos, diz Francisco, “se aproveitam e extraem deles tudo o que podem, sem darem nada em troca. A indiferença, o egoísmo, a cultura do bem-estar acomodado e as profundas divisões na sociedade, que degeneram em violência – todas essas coisas são sinais de que o povo perdeu a consciência da sua dignidade. Deixou de acreditar em si mesmo” (VSJ 108).

No profético livro de Davi Kopenawa e Bruce Albert, A queda do céu, o grande líder Yanomami denuncia com vigor o que ele chama de “comedores de terra”, que avançam sem pudor sobre o território indígena à caça dos tesouros sob a terra. Como sublinha, “esses brancos parecem querer devorar a terra, como tatus-canastras e queixadas! Se deixarmos seu número aumentar, vão devastar a floresta toda, do mesmo jeito que estão fazendo aqui” [9].

Nas calamidades, como essa da Covid-19, a vulnerabilidade dos povos vem à tona, com todo o seu ímpeto, e expõe as seguranças falsas e supérfluas em torno das quais havíamos organizado nossos planos, nossas rotinas e prioridades” (VSJ 109).

Na proposta de Francisco, encontra-se em primeiro lugar o resgate da dignidade do povo. Trata-se de recuperar sua vida e sabedoria, sua “maneira de olhar o mundo”, que tem tanto a nos ensinar (VSJ 113). O mesmo reconheceu Bruno Latour em obra preciosa sobre os modos de existência. Dizia que hoje estamos assistindo de forma singular o “retorno progressivo às cosmologias antigas e suas inquietudes”. E tomamos consciência de que elas não são assim inconsistentes como pensam os ilustrados e poderosos de nosso tempo [10].

O papa Francisco relata sua experiência com os cartoneros na Argentina, de onde colheu muitos frutos importantes para a sua reflexão pessoal. Ali pôde reconhecer o que significa a “cultura do descarte”. Sinaliza que eles, “ao se organizarem, criaram a dinâmica da própria conversão, uma reciclagem de suas próprias vidas. E no processo mudaram a maneira como os argentinos viam o lixo, ajudando-os a compreender o valor de reutilizar e reciclar” (VSJ 136). Aprendeu também muito com os encontros dos movimentos populares no Vaticano. Justas as suas reivindicações em favor da terra, do teto e do trabalho e sua luta contra todas as discriminações e violências (VSJ 138).

No epílogo, conclui com um lindo poema sobre a Esperança, de autoria de Aléxis Valdez, e cito aqui as quatro primeiras estrofes:

“Quando a tempestade tiver passado
e as estradas estiverem amansadas
e nós formos sobreviventes
de um naufrágio coletivo.

Com o coração em lágrimas
E o destino abençoado
Nos sentiremos felizes
Simplesmente por estarmos vivos.

E daremos um abraço
Ao primeiro desconhecido
E louvaremos a sorte
De conservar um amigo.

E então recordaremos
Tudo aquilo que perdemos
E de uma vez aprenderemos
Tudo o que não aprendemos (...)” (VSJ 149).

.....


Notas: 

[1] Papa Francisco. Vamos sonhar juntos. O caminho para um futuro melhor. Em conversa com com Austen Ivereigh. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020, p. 151. O livro será sempre citado no texto com a sigla VSJ, seguida da página.

[2] Walnice Nogueira GALVÃO. As formas do falso. 2 ed. São Paulo: Perspectiva,1986, p. 130.

[3] Christian DUQUOC. “Credo la chiesa”. Precarietà istituzionale e regno di Dio. Brescia: Queriniana, 2001, p. 165.

[4] Ibidem, p. 134-135.

[5] Teilhard de CHARDIN. Cartas a Léontine Zanta. São Paulo: Herder, Lisboa, 1967, p. 99.

[6] Vittorio MESSORI & Joseph RATZINGER. Rapporto sulla fede. Cisinello Balsamo: Paoline, 1985, p 87.

[7] Peter L. BERGER. Os múltiplos altares da modernidade. Rumo a um paradigma da religião numa época pluralista. Petrópolis: Vozes, 2017, p. 34.

[8] Lucien GOLDMANN. Ciências humanas e filosofia. São Paulo: Difel, 1967, p. 47-50.

[9] Davi KOPENAWA & Bruce ALBERT. A queda do céu. Palavras de um xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 339.

[10] Bruno LATOUR. Enquête sur les modes d´existence. Une anthropologie des Modernes. Paris: La Découvert, 2012, p. 452.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/605876-um-olhar-sobre-o-novo-livro-do-papa-francisco-vamos-sonhar-juntos

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Papa: é revolucionário amar o cônjuge assim como Cristo amou a Igreja

Na Audiência desta quarta-feira, Francisco completou sua reflexão sobre o sexto mandamento , "não cometer adultério". "Amar é sair de si, é descentralizar", afirmou.

Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. Cerca de 20 mil fiéis participaram na Praça São Pedro do encontro semanal com o Pontífice.
Nesta quarta-feira (31/10), o Papa Francisco completou a catequese sobre o sexto mandamento, “não cometer adultério”, evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana. O amor se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia.

Revolução
Este mandamento, recordou o Papa, refere-se explicitamente à fidelidade matrimonial. Francisco definiu como “revolucionário” o trecho da Carta de São Paulo aos Efésios lido no início da Audiência, em que o Apóstolo afirma que o marido deve amar a esposa assim como Cristo amou a Igreja. Levando em consideração a antropologia da época, disse o Papa, “é uma revolução. Talvez, naquele tempo, é a coisa mais revolucionária dita sobre o matrimônio”.
Por isso, é importante refletir profundamente sobre o significado de esponsal, estando ciente, porém, de que o mandamento da fidelidade é destinado a todos os batizados, não só aos casados.

Amar é descentralizar
De fato, o caminho do amadurecimento humano é o próprio percurso do amor, que vai desde o receber cuidados até a capacidade de oferecer cuidados; de receber a vida à capacidade de dar a vida. Tornar-se adultos significa viver a atitude esponsal, ou seja, capaz de doar-se sem medida aos outros.
O infiel, portanto, é uma pessoa imatura, que interpreta as situações com base no próprio bem-estar. “Para se casar, não basta celebrar o matrimônio!”, recordou o Papa. É preciso fazer um caminho do eu ao nós. De pensar sozinho, a pensar a dois. A viver sozinho, a viver a dois. Descentralizar é uma atitude esponsal.
Por isso, acrescentou Francisco, “toda vocação cristã é esponsal”, pois é fruto do laço de amor com Cristo mediante o qual fomos regenerados. O sacerdote é chamado a servir a comunidade com todo o afeto e a sabedoria que o Senhor doa.
A Igreja não necessita de aspirantes ao papel de sacerdotes, “é melhor que fiquem em casa”, mas homens cujo coração é tocado pelo Espírito Santo com um amor sem reservas para a Esposa de Cristo. No sacerdócio, se ama o povo de Deus com toda a paternidade, ternura e a força de um esposo e de um pai. O mesmo vale para quem é chamado a viver a virgindade consagrada.

O corpo não é um instrumento de prazer
“O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o local da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria e para a sua superficialidade. Os homens e as mulheres merecem mais!”
O Papa concluiu recordando que o sexto mandamento, mesmo em sua forma negativa – não cometer adultério – nos oriente à nossa chamada originária, isto é, ao amor esponsal pleno e fiel, que Jesus Cristo nos revelou e doou.

Dia de Finados
Ao final da Audiência, o Papa recordou a celebração do Dia de Finados. “Que o testemunho de fé dos que nos precederam reforce em nós a certeza de que Deus acompanha cada um no caminho da vida, jamais abandona alguém a si mesmo, e quer que todos sejamos santos, assim como Ele é santo.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-10/papafrancisco-audiencia-adulterio-amar-revolucao.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Os pais nos deram a vida, jamais insultá-los, pediu Francisco

"Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais. Nunca insultar o pai, a mãe. Nunca. Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei o pai ou a mãe de quem quer que seja. Nos deram a vida. Nunca insultá-los”, foi o pedido do Papa Francisco na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira.

Nunca insultar os pais! “Poderemos começar a honrar nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordiosa acolhida de seus limites”, “quando descobrirmos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” aconteceu isto ou aquilo que forjou a minha vida.
“Honrar pai e mãe”. O quarto mandamento foi o tema da catequese do Papa na Audiência Geral desta quarta-feira, 19, ao dar continuidade a sua série de reflexões sobre o Decálogo. Francisco pediu para nunca insultarmos os pais. Do Brasil estava presente um grupo do Colégio Santo Inácio, de Fortaleza.

O sentido de "honrar" 
Francisco começou explicando aos 13 mil presentes na Praça São Pedro, numa quarta-feira com tempo instável na Cidade Eterna, o sentido desta “honra”, que em hebraico indica a glória, o valor, a consistência de uma realidade. Portanto, “honrar” significa reconhecer este valor.
Se “honrar a Deus nas Escrituras quer dizer reconhecer a sua realidade, considerar a sua presença”, dando a Ele “seu justo lugar na existência”, honrar pai e mãe quer dizer então “reconhecer a sua importância também com atos concretos, que exprimem dedicação, afeto, cuidado”, mas não só.
“Honra o teu pai e a tua mãe, como te ordenou o Senhor, para que se prolonguem os teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus”. O quarto mandamento – explica o Papa - “contém um êxito”, ou seja, “honrar os pais leva a uma vida longa e feliz”.

Feridas da infância 
De fato, “a palavra “felicidade” no Decálogo aparece somente ligada à relação com os pais”. E essa sabedoria milenar declara o que as ciências humanas conseguiram elaborar somente há pouco mais de um século, isto é,  que as marcas da infância marcam toda a vida:
“Muitas vezes pode ser fácil entender se alguém cresceu em um ambiente saudável e equilibrado. Mas da mesma forma perceber se uma pessoa vem de experiências de abandono ou de violência. A nossa infância é um pouco como uma tinta indelével, se expressa nos gostos, nos modos de ser, mesmo que alguns tentem esconder as feridas de próprias origens”.

Reconhecimento por quem nos colocou no mundo
Francisco chama a atenção, que o quarto mandamento não fala da bondade dos pais, nem pede a eles que sejam perfeitos, mas, “fala de um ato dos filhos, independente dos méritos dos genitores, e diz uma coisa extraordinária e libertadora”:
“Mesmo que nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque a realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.
“A realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo ”

Exemplo do Santos
O Papa ressalta o quanto este quarto mandamento “pode ser construtivo para tantos jovens que vem de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram em sua juventude. Muitos santos - e muitos cristãos - depois de uma infância dolorosa viveram uma vida luminosa, porque, graças a Jesus Cristo, se reconciliaram com a vida:
"Pensemos ao hoje Beato, mas no próximo mês Santo Sulprizio, aquele jovem napolitano que há 19 anos acabou sua vida reconciliado com tantas dores, com tantas coisas, porque seu coração era sereno e jamais havia renegado seus pais. Pensemos em São Camilo de Lellis, que de uma infância desordenada construiu uma vida de amor e serviço; mas pensemos Santa Josefina Bakhita, crescida em uma escravidão horrível; ou ao abençoado Carlo Gnocchi, órfão e pobre; e ao próprio São João Paulo II, marcado pela perda da mãe em tenra idade”.
O homem, qualquer que seja a sua história, “recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo”, em quem se manifesta de fato “o Pai verdadeiro, que nos oferece renascer do alto”.
“Os enigmas de nossas vidas se iluminam quando se descobre que Deus desde sempre nos preparou a vida como seus filhos, onde cada ato é uma missão dele recebida.”

Feridas como potencialidades
As nossas feridas – observou o Santo Padre – iniciam a ser “potencialidades” quando, por graça, descobrimos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” me aconteceu isto, explicando:
“Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história? Aqui tudo se inverte, tudo se torna precioso, tudo se torna construtivo. Então podemos começar a honrar nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordiosa acolhida de seus limites”.
“Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história?”

Jamais insultar pai e mãe
“Honrar os pais – exortou o Papa.  Nos deram a vida”. E fez um pedido:
“Se você se afastou dos seus pais, mah, faça um esforço e volte, volte para eles. Talvez sejam idosos. Deram a vida a você. E depois, entre nós existe este costume de dizer coisas feias, mesmo palavrões. Por favor. Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais dos outros. Nunca! Nunca se insulta a mãe, nunca insultar o pai. Nunca! Nunca! Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei a mãe ou o pai de quem quer que seja. Nos deram a vida. Nunca devem ser insultados”.
Mas essa vida maravilhosa, disse o Papa Francisco ao concluir, nos é oferta, não imposta. Renascer em Cristo é uma graça a ser acolhida livremente e é o tesouro de nosso Batismo, no qual, por obra do Espírito Santo, um só é o Pai nosso, aquele de céu”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-09/papa-francisco-audiencia-geral-catequese-decalogo-honrar-pai-mae.html

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Papa Francisco aos pais: tenham confiança na escola e nos professores

“Os professores são como vocês, comprometidos todos os dias com o serviço educacional de seus filhos."

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (07/09), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de mil e quatrocentos membros da Associação Italiana de Pais que este ano completa seu 50º aniversário.
Segundo o Pontífice, o encontro foi uma ocasião importante para confirmar o compromisso dos pais em prol da família e da educação. Um compromisso levado adiante “segundo os princípios da ética cristã a fim de que a família seja cada vez mais reconhecida e protagonista na vida social”.
A Associação Italiana de Pais emprega suas energias na ajuda aos genitores em sua tarefa educacional, especialmente no que diz respeito à escola, “parceira principal da família na educação dos filhos”.
“O que vocês fazem nesse campo é realmente louvável. Hoje, quando se fala de aliança educacional entre escola e família, se fala, sobretudo, para denunciar a sua falha: a família não aprecia mais, como anos atrás, o trabalho dos professores que sentem a presença dos pais nas escolas como uma intromissão, deixando-os à margem ou considerando-os adversários.”
Segundo o Papa, “para mudar essa situação é preciso que alguém faça o primeiro passo, vencendo o medo do outro e estendendo a mão com generosidade”.
Francisco incentivou os pais a cultivar e alimentar sempre a confiança na escola e nos professores. “Sem eles vocês correm o risco de permanecerem sozinhos na ação educacional e serem cada vez menos capazes de enfrentar os novos desafios educacionais que vêm da cultura atual, da sociedade, dos meios de comunicação e das novas tecnologias.”
“Os professores são como vocês, comprometidos todos os dias com o serviço educacional de seus filhos. Se é certo reclamar sobre os possíveis limites de sua ação, é nosso dever estimá-los como os aliados mais preciosos na tarefa educacional promovida juntos.”
A escola também precisa dos pais “e não pode alcançar seus objetivos sem realizar um diálogo construtivo com aqueles que têm a responsabilidade primária do crescimento de seus alunos”.
Recordando um trecho de sua Exortação apostólica pós-sinodal “Amoris laetitia”, o Papa ressaltou que a “escola não substitui os pais; serve-lhes de complemento. Este é um princípio básico: «qualquer outro participante no processo educativo não pode operar senão em nome dos pais, com o seu consenso e até mesmo por seu encargo».”
A seguir, o Papa citou um provérbio africano que diz: “Para educar uma criança é necessária uma aldeia.” Portanto, na educação escolar não pode faltar a colaboração entre as várias componentes da comunidade educacional.
Francisco convidou os pais a sentirem a proximidade da Igreja na missão de educar seus filhos e tornar a sociedade uma família, a fim de que toda pessoa seja acolhida, acompanhada e orientada aos valores verdadeiros, capaz de dar o melhor de si para o crescimento comum.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2018/09/09/papa-francisco-aos-pais-tenham-confianca-na-escola-e-nos-professores/

terça-feira, 5 de junho de 2018

Papa: proteger a vida desde a concepção até o ocaso natural

"Sejam sinais de esperança, que aliviam os momentos de solidão e sofrimento na enfermidade", disse Francisco aos membros da Sociedade Italiana de Combate à Distrofia Muscular, doença genética degenerativa, que acomete, geralmente, crianças entre 1 e 6 anos.

O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (02/6), recebendo, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 1.500 membros da Sociedade italiana de Combate à Distrofia Muscular.
A distrofia muscular, recordamos, é uma doença genética degenerativa, que acomete, geralmente, crianças entre 1 e 6 anos, provocando fraqueza e perda progressiva da função muscular. Trata-se de uma doença grave que não dá nenhuma expectativa de vida.
Em seu discurso aos numerosos presentes, o Papa cumprimentou e agradeceu “aos sócios e voluntários da Sociedade, que prestam um generoso serviço, em todo o território nacional, aos pacientes acometidos por distrofias e outras patologias musculares. E acrescentou:
“Para eles, vocês são sinais de esperança, que aliviam os momentos de solidão e sofrimento, e estímulo para enfrentar a enfermidade, com confiança e serenidade. Sua presença assegura-lhes uma assistência preciosa, em âmbito médico e social, além do calor humano, do diálogo fraterno e da ternura. A reabilitação física pode e deve ser acompanhada por uma reabilitação espiritual, composta de gestos de solidariedade, um serviço para combater a dor física, mas também o sofrimento moral de abandono e isolamento”.
Entre as caraterísticas de tal serviço, o Papa recordou a gratuidade, - para além dos interesses ou ideologias, - discrição, fidelidade, atenção, prontidão, eficácia, humildade, serenidade, determinação, pontualidade, perseverança e respeito pelo paciente. Por isso, Francisco animou os membros da Associação italiana de Combate à Distrofia Muscular:
“Encorajo-os a prosseguir nesta trajetória, tornando-se, cada vez mais, testemunhas de solidariedade e caridade evangélica. Seu precioso serviço é um fator peculiar de humanização, que leva a sociedade a ser mais atenciosa com a dignidade humana. Jesus compartilhou, até à morte, da nossa realidade terrena, ensinando-nos a agir com caridade, que é a forma mais eloquente do testemunho evangélico”.
Neste sentido, o Santo Padre recordou os inúmeros homens e mulheres cristãos, que, ao longo dos séculos, se dedicaram com amor ao próximo sofredor, como José Cottolengo, Luís Guanella, Luís Orione.
Francisco concluiu seu discurso recordando a importância da ajuda e da assistência a quem sofre, bem como o testemunho cristão, sobretudo entre os jovens, que devem ser educados a uma cultura de solidariedade e acolhida, aberta às necessidades das pessoas mais frágeis.
Por fim, o Papa afirmou que “quem sofre compreende mais o valor do dom divino da vida, que deve ser tutelada, desde a sua concepção até ao fim natural”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-06/papa-francisco-sociedade-italiana-distrofia-proteger-dom-vida.html

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A oração do Papa ao pequeno Charlie

“Confio ao Pai o pequeno Charlie e rezo pelos seus pais e as pessoas que o amaram”: assim se manifestou o Papa Francisco no Twitter após o anúncio da morte do bebê inglês de 11 meses.
Os pais, Connie Yates e Chris Gard, comunicaram o falecimento com essas palavras: “O nosso esplêndido menino se foi. Estamos realmente orgulhosos de Charlie”.
A criança morreu após a interrupção da respiração artificial numa clínica de cuidados paliativos, para onde foi transferido por decisão do Tribunal. Já na segunda-feira, o Papa manifestou a sua solidariedade aos pais de Charlie Gard neste “momento de imenso sofrimento”. Os pais renunciaram ao seu pedido de levar a criança para os EUA e lamentam o tempo perdido em batalhas judiciais.

Os católicos ingleses
Por sua vez, o Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e de Gales, Card. Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster, declarou-se profundamente entristecido pela morte de Charlie Gard e manifesta a solidariedade de toda a comunidade católica aos pais. O Card. Nichols também agradeceu aos funcionários do Hospital "Great Ormond Street", que cuidou do bebê até a sua transferência, destacando o profissionalismo e a dedicação de médicos e enfermeiros.

Deus não desliga os aparelhos
Oração e solidariedade também foram expressos pelo Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vincenzo Paglia. O Arcebispo recordou a grandeza do Amor de Deus que não pode ser desligada de aparelhos. Este caso, acrescentou Dom Paglia, nos impulsiona a "promover uma cultura do acompanhamento" e a "dizer três grandes nãos: à eutanásia, ao abandono e ao excesso terapêutico a favor de grandes sins: ao acompanhamento, ao progresso da ciência e à terapia da dor".  

Fonte: http://br.radiovaticana.va/news/2017/07/29/a_ora%C3%A7%C3%A3o_do_papa_ao_pequeno_charlie/1327685

quinta-feira, 30 de março de 2017

Papa Francisco : a família continua sendo uma boa nova para o mundo


Foi divulgada, nesta quinta-feira, 30 de março, a carta do Papa Francisco para o 9º Encontro Mundial das Famílias que se realizará em Dublin, na Irlanda, de 21 a 26 de agosto de 2018, sobre o tema “O Evangelho da Família: alegria para o mundo”. 

O texto foi apresentado, esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, Cardeal Kevin Joseph Farrell, e pelo Arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin. 
No final do 8º Encontro Mundial das Famílias realizado, na Filadélfia (EUA), em setembro de 2015, o Papa anunciou que o congresso sucessivo com as famílias católicas do mundo se realizaria em Dublin. 
Na carta, Francisco oferece algumas indicações precisas. “Desejo que as famílias tenham a oportunidade de aprofundar a sua reflexão e partilha sobre os conteúdos da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia”. 
O Pontífice convida a se perguntar: O Evangelho continua sendo alegria para o mundo? A família continua sendo uma boa nova para o mundo de hoje? “Tenho certeza que sim”, responde o Papa, e “este sim está firmemente estabelecido no desígnio de Deus”. 
Segundo Francisco, “o amor de Deus é o seu sim a toda a Criação e ao ser humano, centro da Criação. É o sim de Deus pela união entre o homem e a mulher, abertura e serviço à vida em todas as suas fases. É o sim e o compromisso de Deus pela humanidade ferida, maltratada e dominada pela falta de amor. A família é o sim de Deus-Amor. Somente a partir do amor, a família pode manifestar, difundir e regenerar o amor de Deus no mundo. Sem o amor não é possível viver como filhos de Deus, como cônjuges, pais e irmãos”. 
O Papa sugere às famílias de se perguntarem várias vezes se estão vivendo a partir do amor, para o amor e no amor. “Isso significa concretamente: doar-se, perdoar-se, não perder a paciência, antecipar o outro e respeitar-se. Como seria melhor a vida familiar se a cada dia fossem vividas três palavras simples: permissão, obrigado e desculpa. Todos os dias fazemos experiência de fragilidade e fraqueza. Por isso, todos nós, famílias e pastores, precisamos de uma humildade renovada que plasme o desejo de nos formar, nos educar e ser educados, de ajudar e ser ajudados, de acompanhar, discernir e integrar todos os homens de boa vontade”. 
“Sonho uma Igreja em saída, não auto-referencial, uma Igreja que não passe distante das feridas do ser humano. Uma Igreja misericordiosa que anuncie o coração da revelação do Deus-Amor que é Misericórdia. Esta misericórdia nos faz novos no amor. Sabemos quanto as famílias cristãs são lugares de misericórdia e testemunhas de misericórdia. Depois do Jubileu Extraordinário serão ainda mais, e o encontro de Dublin lhes oferecerá sinais concretos.”
O Papa convida toda a Igreja a recordar essas suas indicações na preparação do próximo Encontro Mundial das Famílias, a promover os ensinamentos da Amoris laetitia a fim de que as famílias estejam sempre a caminho, naquela peregrinação interior que é manifestação de vida autêntica.
Francisco agradece a Arquidiocese de Dublin e toda a nação irlandesa pelo acolhimento generoso e pelo compromisso de hospedar um evento dessa grandeza. “Que a Santa Família de Nazaré guie, acompanhe e abençoe o seu serviço e todas as famílias comprometidas na preparação desse grande Encontro Mundial, em Dublin”. 
Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/5562/papa-a-familia-continua-sendo-uma-boa-nova-para-o-mundo

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sexta-feira da Misericórdia: Papa Francisco visita bebês doentes e pacientes em fase terminal

Continuando com suas iniciativas das Sextas-feiras da misericórdia no contexto do Jubileu, no dia 16, o Papa Francisco fez uma visita-surpresa na área de neonatologia do hospital San Giovanni, em Roma, e depois se dirigiu a um asilo no qual vivem 30 pacientes em fase terminal.
No primeiro local, segundo informações da Sala de Imprensa da Santa Sé, estão internadas 12 crianças recém-nascidas com vários tipos de doenças.
Cinco desses bebês, (dos quais, dois são gêmeos), “estão entubados em terapia intensiva. No andar superior do hospital San Giovanni, o Papa Francisco visitou também a unidade infantil onde outras crianças estão hospitalizadas”.
“O Papa Francisco foi recebido com surpresa por toda a equipe de médicos e enfermeiros. Como de regra nos hospitais, ele teve que usar máscara de proteção, além de se submeter a todas as precauções higiênicas para respeitar o ambiente”, assinala a nota.

O Santo Padre se aproximou de cada incubadora e também saudou e encorajou os pais que estavam presentes.
Em seguida, o Papa visitou a unidade “Hospice Villa Speranza”, uma estrutura dedicada aos doentes com câncer e que atende 30 pacientes em fase terminal. A estrutura pertence à Fundação Policlínico Universitário Gemelli, da Universidade Católica Sacro Cuore.
Na sua chegada, os responsáveis deram as boas-vindas ao Santo Padre que desejou saudar cada doente, um por um no seu quarto. Foi uma grande surpresa para todos, pacientes e familiares que viveram um momento de misericórdia unido a fortes emoções, lágrimas e sorrisos de alegria.

Com esta Sexta-feira da Misericórdia, indica a nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, “o Santo Padre quis dar um sinal significativo sobre a importância da vida desde o seu primeiro instante até o seu final natural”.
Com estas visitas, explicam, o Papa ressalta o quanto é fundamental – para viver a misericórdia – “a atenção às situações mais frágeis e precárias”.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/sexta-feira-da-misericordia-papa-francisco-visita-bebes-doentes-e-pacientes-em-fase-terminal-33809/

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Papa batiza 26 crianças e pede aos pais: façam o possível para que não percam a fé

O Papa Francisco presidiu na manhã de 10 de janeiro, na Capela Sistina dos Museus Vaticanos a Missa do Batismo do Senhor, quando concedeu o sacramento do Batismo a 26 crianças: 13 meninos e 13 meninas.
Como é tradição, os batizados são filhos de funcionários do Vaticano. Em uma breve homilia, Francisco recordou a importância da fé e pediu aos pais que façam o possível para que seus filhos não a percam.
“Quarenta dias depois de seu nascimento, Jesus foi levado ao templo. Maria e José o levaram para apresentá-lo a Deus. Hoje, festa do Batismo do Senhor, vocês pais trazem seus filhos para receber o Batismo. Para receber o que pediram no início, quando eu fiz a primeira pergunta: a fé. ‘Eu quero para meu filho a fé’. E assim a fé é transmitida de uma geração a outra como uma cadeia”, disse o Santo Padre. 
O Papa recordou aos pais e padrinhos que “estes meninos, estas meninas, passados os anos, ocuparão vosso lugar com outro filho e pedirão a fé, a fé que o Batismo nos dá, a fé que nos traz o Espírito Santo ao coração, a alma na vida desses vossos filhos. Vocês pediram a fé”.
“A Igreja, quando lhes entregar a vela acesa, lhes dirá para preservar a fé dessas crianças. E, finalmente, não se esqueçam que a maior herança que poderão deixar às crianças é a fé”.
“Fazer de modo que esta não se perca, que a façam crescer. É o que desejo a vocês: que sejam capazes de fazer crescer essas crianças na fé e que a maior herança que elas recebam seja propriamente a fé”.
Ao concluir, o Pontífice disse às mães que ficassem à vontade para amamentar os seus bebês caso eles chorassem com fome.
“Se o seu filho está com fome, alimente-o aqui, com toda liberdade”, disse ele para, em seguida, dar início ao rito batismal.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/papa-batiza-26-criancas-e-pede-aos-pais-facam-o-possivel-para-que-nao-percam-a-fe-98652/

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Papa apresenta valores da família como modelo para relações na sociedade

Após deixar a Pontifícia Universidade Católica do Equador, o Papa Francisco dirigiu-se de papamóvel até a Igreja de São Francisco, distante 4 km, para o encontro com a sociedade civil. O Prefeito de Quito, que aguardava diante da Igreja, entregou ao Pontífice as chaves da cidade, sem discurso. O Padre Guardião da comunidade franciscana acolheu o Papa na igreja, uma das mais importantes construções históricas da capital equatoriana.
O imponente complexo da Igreja e do Convento de São Francisco, constitui a construção religiosa mais antiga de toda América Latina, de grande significado simbólico para as populações indígenas, enquanto sede dos comandos militares Inca e Caranqui. A construção teve início em 1536, três anos após a fundação de Quito, sendo concluída em 1680. O complexo abriga 3.500 obras de arte colonial da Escola de Quito, uma riquíssima biblioteca franciscana, entre outras preciosidades culturais e religiosas.

Protagonismo
No encontro com o Papa Francisco, estavam representados protagonistas da sociedade nos campos da cultura, da economia, do empreendimento industrial e rural, do voluntariado, do esporte, além de representantes das populações indígenas amazônicas. O Santo Padre foi saudado pelo Arcebispo de Cuenza e Presidente da Comissão para os Leigos da CEE, Dom Cabrera Herrera. Três leigos – um homem e duas mulheres –, deram seus testemunhos.
O Papa afirmou “sentir-se em casa” na Igreja São Francisco de Quito, e aproveitou a acolhida para apresentar “algumas chaves de convivência cívica, a começar pela vida familiar”: 

Reflexão
"A nossa sociedade ganha, quando cada pessoa, cada grupo social se sente verdadeiramente de casa. Numa família, os pais, os avós, os filhos são de casa; ninguém fica excluído. Se alguém tem uma dificuldade, mesmo grave, ainda que seja por culpa dele, os outros correm em sua ajuda, apoiam-no; a sua dor é de todos. Me vem em mente a imagem destas mães ou esposas. As vi em Buenos Aires fazendo filas nos dias de visita para entrar no cárcere, para ver a seu filho ou a seu esposo que não se comportou bem, para dizer numa linguagem mais branda, porém não os deixam porque seguem sendo de casa. Como nos ensinam estas mulheres. Na sociedade, não deveria acontecer o mesmo? E, no entanto, as nossas relações sociais ou o jogo político, no sentido mais amplo da palavra - não esqueçamos que a política, dizia o Beato Paulo VI, é uma das formas mais altas de caridade -,  muitas vezes este agir nosso se baseia no confronto, que produz descarte. Assim vamos construindo uma cultura do descarte que hoje em dia assumiu dimensões mundiais, de amplitude. Isto é ser família? A minha posição, a minha ideia, o meu projeto consolidam-se, se for capaz de vencer o outro, de me impor. Nas famílias, todos contribuem para o projeto comum, todos trabalham para o bem comum, mas sem anular o indivíduo; pelo contrário, sustentam-no, promovem-no. Brigam, porém tem algo que não muda: o laço familiar. As brigas de família tornam-se reconciliações depois. As alegrias e as penas de cada um são assumidas por todos. Isto sim é ser família!”.
“Oh se pudéssemos ver o adversário político, o vizinho de casa com os mesmos olhos com que vemos os filhos, esposas ou maridos, pais ou mães! – exclamou o Papa, perguntando: